Logo, Tremedal superará Salvador

Quem visita Buenos Aires, capital da Argentina, ou Santiago, do Chile, vê muitas diferenças em relação às nossas principais cidades. Em muitos aspectos nossas metrópoles saem ganhando, é verdade, especialmente São Paulo, Curitiba e Brasília. Mas, há “coisinhas” em que o “estrangeiro” ganha de nós de lavada. De Salvador, principalmente. Nem falo da Europa. Conhecer a organização urbana e social numa cidade como Londres nos faz, no mínimo, condescendentes com Salvador. A diferença é vergonhosa, mas, para não assacar contra nosso próprio orgulho de baianos, achamos algumas desculpas para não falar mal, muito mal da capital soteropolitana.

Mas, fiquemos nas duas cidades sul-americanos de que falei no começo e em um tema: telefonia público, a opção de falar da rua sem precisar usar o celular. Quem precisa telefonar de lá e não topa pagar as absurdas taxas de roamming das nossas operadoras não encontra grande dificuldade. Tanto uma como a outra cidade tem umas lojas, chamadas de locutórios, onde o turista paga para telefonar, de cabines privadas, para seu país ou mesmo fazer ligações locais. E pagando pouco.

Aqui, o turista que quiser falar internamente tem que comprar um celular de cartão ou se submeter às altas tarifas cobradas em hotéis ou em dois ou três locais – sempre na Barra – onde os turistas (brasileiros e estrangeiros) podem usar o telefone para falar com família e amigos no Brasil, nos seus países de origem ou outras partes do mundo.

Orelhão em frente ao Ondina Apart

Só a Oi/Telemar não vê isto

Mudo e surdo porque a Oi/Telemar está cega

Os telefones públicos, os chamados orelhões, que as operadoras espalharam nas cidades grandes para cumprir as regras da privatização, não ajudam. Eu calculo, sem medo de errar, que em Salvador menos de um terço deles funciona. No bairro de Ondina, onde moro, desde a Adhemar de Barros, nas imediações da UFBA, até o começo da Sabino Silva eu encontrei 8 telefones imprestáveis. No perímetro indicado deve haver uns 12 orelhões instalados.

Mas, preste atenção, paciente leitor, os telefones não estão sem funcionar por ação de vândalos, mas porque estão abandonados pela Telemar/Oi. Alguns estão quase totalmente destruídos pela maresia. Muitos, provavelmente, tenham sido quebrados pela revolta de quem precisou e andou muito sem conseguir achar um telefone que prestasse.

Antes do réveillon precisei usar o telefone público na área do Comércio, nas proximidades do Mercado Modelo, que já estava apinhada de turistas. De cinco orelhões testados, só encontrei um funcionando plenamente.

Imagino como deve ser nos bairros mais afastados, no subúrbio. Isso me faz lembrar de uma visita que fiz à cidade de Tremedal, no sudoeste da Bahia, em  2000, acredito. Quando a privatização da telefonia brasileira mostrava seus “primeiros sucessos”. Era um sábado. Procurei um telefone público na cidade, pois celular ainda era algo impensável ali. Soube que o único orelhão ficava na praça. Ao chegar lá, vi uma grande fila de gente querendo usar o aparelho. Era porque no fim de semana as mães ligavam para os filhos que moravam em São Paulo, para onde foram em busca de trabalho. Era mais barato e era quando a maioria dos filhos estava de folga do trabalho.

Sorri duas vezes.

A primeira pelo aspecto social. Não apenas Tremedal, mas toda a região sudoeste da Bahia sempre foi uma grande exportadora de mão-de-obra para São Paulo. O meu amigo José Raimundo, repórter da Rede Globo, certa vez fez uma matéria sobre isso. Prefeitos mandavam ônibus cheios de trabalhadores ávidos por uma vaga na construção civil na grande metrópole brasileira, caminhões que traziam bens e mercadorias para a Bahia voltavam carregando gente. Uma das consequências, além de algum dinheiro que chegava de São Paulo para o sustento da família, a gente via nos botecos e nas ruas da pequena mas simpática Tremedal: gente jogando Truco e a meninada usando camisas do Palmeiras, São Paulo, Corinthians, times paulistas. Cultura e coisas que seus pais e irmãos ajudavam a importar.

E sorri ainda por lembrar que no entorno do condomínio onde eu morava em Conquista, numa área de uns seis quilômetros quadrados eu tinha à disposição pelo menos 20 orelhões, enquanto toda a Tremedal só podia usar um.

Hoje, pelo andar da carruagem da Oi/Telemar, que entendeu que todo mundo  deve usar apenas celular – e quem não tem um que compre logo – está deixando os telefones públicos se deteriorarem, alguns já apodreceram. Dentro de algum tempo até Tremedal vai ter mais orelhões funcionando do que Salvador. Ainda bem que lá as mães precisam para falar com seus filhos que ainda estão em São Paulo.

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Metrô de Salvador, a nova vergonha da Bahia

A TV Bandeirantes e o programa CQC escolheram a chegada do aniversário de Salvador – “comemorado” dia 29 – para mostrar a vergonha político-administrativa-arquitetônica-estrutural-moral da nossa capital, fora os sem teto, os mendigos, as encostas desprotegidas, o desemprego, etc.: o metrô.

Digo, sem medo de ser injusto, que todos, todos mesmo, os políticos da Bahia com alguma relação com Salvador neste dez anos têm culpa no cartório, têm a ver com essa vergonha. Todos, de qualquer partido, inclusive – ou principalmente – Wagner, Geddel, Paulo Souto, César Borges, Otto Alencar, Lídice da Mata, Pelegrino, Pinheiro, ACM Neto, etc. etc. etc.

Dez anos de embromação. Mais de R$ 500 milhões de reais. Notícia até nos principais jornais do EUA, como a obra mais cara e mais atrasada do mundo. O metrô de Salvador, uma obra mal planejada, curtinho que só – 8 quilômetros – e feio que só ele, é uma vergonha da Bahia.

Vejam o vídeo.

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Porque hoje é dia 29 de março

Não precisa de feriado porque a festa é na alma da gente.

Feliz aniversário, Salvador.

Obtive a foto abaixo no site VirtualTourist, espero que não se zangue o dono/autor. O motivo é nobre. Lá, em inglês, está a frase “Se você gosta de sua terra, não venha para  Bahia” (“If you like your homeland, don’t come to Bahia”), atribuída a Dorival Caimmi. É que Salvador tem visgo. Um dos melhores motivos para ser baiano.

Quando chego a Salvador de avião quero sempre estar no lado direito, colado na janela. É lindo quando dá para ver esse ponto da cidade.

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Guerra de Paz no carnaval

Este ano vai rolar uma folia diferente no circuito Dodô, Barra/Ondina. É a primeira Flash Mob de Pijama em plena folia baiana, a Morfeu do Carnaval.

Será a fuzarca mais democrática do carnaval baiano, uma verdadeira anarquia momesca em meio à explosão de abadás caros e camarotes inacessíveis e superlotados.

Então, contamos com a sua presença. Coloque seu melhor pijama, pegue seu travesseiro, e se quiser, também leve serpentina, confete e espuma em spray.

Local: em frente ao Barra Vento, próximo ao Cristo da Barra

Dia: 13/02, sábado de carnaval

Horário de concentração: às 15 horas

Horário da Guerra de Travesseiro: 15:30

Kit folia: travesseiro, confete, serpentina, espuma spray.Guerra

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Primo pobre, primo rico.

Por que o tratamento dado ao Forte de Santa Maria é tão distinto do que é dado ao Forte de Santo Antônio da Barra, mais conhecido como Farol da Barra? O farol tem café/restaurante, um museu náutico, recebe cuidados frequentes, como pintura e reformas na fachada, além de ter iluminação externa caprichada, etc. O Santa Maria foi pintado pela última vez no início de 2005, pela prefeitura. Único dos fortes de Salvador com o nome de mulher, o Santa Maria é o primo pobre e não deveria ser assim.

O conjunto de fortes construídos na Barra para defender a primeira capital do Brasil (Santa Maria, Santo Antônio da Barra e o simpático Forte de São Diego) poderia receber investimentos semelhantes, para valorizar suas belezas e atrair ainda mais turistas e baianos para apreciar sua imponência e sua história.

Tombado como patrimônio nacional desde 1938, o Forte de Santa Maria está sob a administração da Marinha que mantém ali o Serviço Hidrográfico e até alguns anos era a residência oficial do Comandante de Sinalização Náutica do Leste. Não sei ainda é. Se for, será que é por isso que está tão feio?

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Em viagem

Estou em Olinda, bela cidade pernambucanana e retorno no início da noite a Salvador, quando atualizarei o blog. Peço desculpa ao (cada vez maior) público leitor.

Mas, para não ficar em branco a viagem, ontem fui ao show do grupo inglês Mc Fly, no Chevrolet Hall. Eles tocaram em Manaus, Fortaleza, Recife e tocarão ainda em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Salvador, não, “infelizmente”, dizem os fãs. Para cá vieram dezenas deles, especialmente meninas, na faixa de 12 a 18 anos. Não apenas o Mc Fly deixa de se apresentar em Salvador, mas, os grandes shows internacionais que vêm ao Brasil não passam pela nossa capital em suas turnês.

Reserva de mercado do axé, do pagode e do arrocha e similares?

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Ao tempo. Passarela não protege da chuva

As passarelas têm cobertura para proteger os transeuntes do sol e da chuva. O sol se esconde nesses dias, mas nem toda passarela protege da chuva. Durante a semana, prepostos da prefeitura do Salvador trabalhavam na passarela de acesso ao Shopping Barra e ao Bom Preço da avenida Centenário. Parece que não deu tempo de reparar as “goteiras”, o buraco ficou maior do que o remendo e parte do teto ficou no chão (as placas verdes na calçada).HPIM6829HPIM6832HPIM6837

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Nova lei anti-fumo abre temporada de caça aos fumantes em Salvador

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Riscos de tentar bular a lei: “Aquele é o terceiro fumante que nós perdemos esta semana”

Quando eu era garoto, ao viajar nos ônibus da São Luís – aqueles que têm pintadas na carroceria as iniciais FAS, de Feliciano Ângelo da Silva, seu fundador -, ficava encafifado com um aviso que havia em todos os carros: É PROIBIDO FUMAR, CACHIMBO, CHARUTO OU CIGARRO DE PALHA. E por que não o cigarro comum, enrolado no papel? E lá estávamos submetidos à fumaça do fumo autorizado, do inocentado cigarro.

Eu acho que naquele tempo a grande maioria dos adultos fumava, se não fosse evangélico. Nos ônibus, só crentes, as crianças e alguns alérgicos reclamavam da fumaça que chegava a embaçar o ambiente.  Ficava ainda mais evidente quando descíamos nas paradas costumeiras – Capim Grosso e Tanquinho, para um lanche ou para ir ao banheiro (porque fumaça tinha mas banheiro era coisa rara nos ônibus), ao voltar para dentro do ônibus o mesmo estava “intindijado”* com o cheiro da fumaça.

Desde lá, muita coisa mudou. Os ônibus têm banheiros e ainda trazem um aviso parecido, mas agora é proibido fumar qualquer coisa, segundo leis estaduais ou federais. E a maioria, diferente daqueles 40 anos passados, acha isso muito bom. Pois bem, sabe esse aviso dos ônibus, pode ser que dentro de pouco tempo apareça um no salão de festas do seu prédio, nos abrigos de ônibus, em bares ou naquele espaço do restaurante onde antes tinha uma placa escrito FUMANTES.

A Câmara de Salvador aprovou uma lei proibindo o fumo em todos os ambientes de uso coletivo, públicos ou privados. Vale para “cigarros, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco”, incluindo aí qualquer tipo de folha ou erva e o cachimbo, que não poderia ficar de fora. O valor da multa para quem desobedecer a lei é poderá variar de R$ 200,00 a R$ 2 milhões. Para começar a valer a lei dos vereadores depende da sanção do prefeito João Henrique.

Depois da Lei Seca vem aí a Lei da Limpeza Etérea. Para valer, a lei vai depender dos “dedos-duros” no início. Se for fumar vá para o meio da rua, já que dentro de casa tem alguém que reclama. Mas, preste atenção se não é abrigo de ônibus ou marquise de loja. Pode ter por perto um fiscal voluntário da lei de olho em você e com um dedo no gatilho, digo, no celular, pronto para acionar a ronda anti-tabagista. Está aberta a temporada de caça ao fumante.

*Intindijado significa o mesmo que cheio, carregado, tomado. “Intindijou de fedor”: encheu o ambiente de mau cheiro. Era assim que eu ouvia na minha infância. Não sei mais se a expressão é/era usada fora do meu círculo familiar.

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Tem banheiro aqui? Que horas são?

Enquanto os viadutos e passarelas sofrem com a ação dos “mijões” soteropolitanos (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u551433.shtml) pelo menos um banheiro público virou um trambolho na praça da Piedade. Trambolho, não, desculpem: tem função publicitária. Um monumento ao desdém oficial.

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Outro “importante equipamento público” a serviço da população é este. Relógio? Termômetro? Bússola? Enfeite? A hora, vejam na foto, não bate.  Para que serve? Fica na avenida Centenário, que foi completamente remodelada no ano passado. Virou um equipamento público de primeira qualidade e importância? Por que cargas d’água deixaram esse treco aí, se nem funciona mais? Ah? Tem a propaganda. E, claro, o telefone público. É escondido, mas é público.

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Quantos destes (assim) haverá por aí?

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Chove cultura

Carybé

A partir de quinta-feira, no Museu de Arte Moderna da Bahia, que fica na avenida Contorno, uma exposição inédita de Carybé deve ser a melhor pedida cultural deste mês de abril em Salvador. Segundo a Secretaria de Cultura da Bahia será a maior exposição de Carybé já realizada no estado. A mostra ocupará os dois andares do Casarão e a Galeria 1 do MAM e celebra os 70 anos da primeira visita* de Carybé (1911-1997) a Salvador, ocorrida em 1938. Para a diretora do MAM, Solange Farkas, “a arte de Carybé, tem alcance internacional pela expressividade do seu estilo original e qualidade técnica, mas principalmente pelo significado cultural adquirido ao exaltar a herança cultural brasileira”. Quem quiser ver a arte de Carybé no MAM tem até 31 de maio.

Carybé

Carybé (1911-1997) ou Hector Julio Paride Bernabó nasceu na cidade de Lanús, Argentina, viveu dos seis meses aos oito anos de idade na Itália e renasceu brasileiro. Inicialmente Carybé morou no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1938, veio pela primeira vez a Salvador e apaixonou-se, fixando-se definitivamente na Bahia a partir de 1950. Sete anos mais tarde, naturalizou-se brasileiro. Recebeu o apelido de Carybé (nome de um peixe de água doce) na época em que era escoteiro, no Rio.

* Só não entendi como pode ser comemorativa dos 70 anos da primeira visita de Carybé, se ele esteve aqui a primeira vez em 1938. Um pouco atrasada, então, a exposição.

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