ELOGIO&CRÍTICA

O que é consciência política? Certamente não é o mesmo o que praticar vandalismo

Pode-se criticar quem não pensa do mesmo modo que nós, seja quando o tema é política, cultura, religião, futebol… Podemos discordar e não gostar. E podemos desejar que todo mundo pense como nós, que todos sejam Bahia ou sejam Vitória, que todos sejam católicos ou evangélicos. E podemos difundir isso, pedir votos, fazer pregações, estender a bandeira do nosso time no playground do prédio como tentativa de seduzir os vizinhos. Mas, tudo isso exige respeito, a noção do espaço do outro, da propriedade do outro. Coisas a que se chamam civilização, nem sempre boa, nem sempre certa, mas sempre necessária.

Há gente que vota na esquerda, gente que vota na direita; os eleitores de João Henrique, de ACM Neto, Imbassahy ou Hilton; há quem queira que Wagner continue governador ou que Geddel ou Paulo Souto tome o lugar dele. Muitos gostam de Lula, outros não gostam de Lula ou de Dilma ou de Serra, por exemplo. E podem dizer isso em casa, na escola, na rua, no bar, no palanque, no trabalho, no ônibus… Mas, convenhamos, manifestar a opinião é um direito, respeitar e conservar os bens e serviços públicos ou privados um dever.

Não dá para agir com vandalismo para protestar contra a política ou pregar o voto nulo -  “porque os políticos não prestam” – atacando a propriedade alheia. Fazer isso é se equiparar aos piores. Ou ficar abaixo deles.

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Cobrar por estacionamento em shopping centers: tratar consumidor como cordeirinho

O prefeito João acaba de ganhar uma oportunidade de fazer um afago no soteropolitano (com chance de ganhar a simpatia de mais gente do que os que votaram nele em 2004 e 2008), fazendo uma média com o eleitor para 2010, quando ele quer ser candidato a um cargo majoritário, que pode ser vice-governador, senador ou governador. Os shoppings da capital deram sinal de que podem começar a cobrar pelo estacionamento, o que é proibido por lei municipal.

João Henrique disse “não!”. Segundo o que foi publicado na imprensa da capital, o prefeito afirmou que é mais fácil ele cassar o alvará de funcionamento de um dos shoppings da cidade do que liberar a cobrança de estacionamento nos mesmos.

E, neste caso, eu estou totalmente ao lado de João. Acho um contrassenso a cobrança de estacionamento no shopping. É como se eu colocasse meu apartamento à venda e cobrasse a entrada de interessados em comprá-lo. As pessoas vão ao shopping gastar e as mercadorias que cada loja oferece aos clientes são a razão de ser do negócio shopping center. Ora, se que quero vender o farei mais rapidamente se oferecer facilidades ao consumidor, isso inclui acesso e estacionamento fáceis – e de graça, especialmente. Porque ao consumidor de Salvador já basta a dificuldade de chegar a um dos shoppings, nesse trânsito conturbado e chato. E, claro, ninguém vai dizer, a não ser os ricos, que a vida está fácil. Decidir uma compra, às vezes é muito difícil, diante da crise e da baixa renda da classe média brasileira comparando com outros países onde os shoppings fazem tanto sucesso quanto aqui.

Mas, sabe por que que os shoppings cometeriam esse contra-senso, esse abuso? Porque funcionam como cartel. Eles decidem em conjunto, não fica um sequer de fora e o consumidor não tem opção. Claro que ainda resta a avenida Sete de Setembro ou alguma coisa na Barroquinha e na Baixa do Sapateiros, mas, não é a mesma coisa.

Se eles conseguirem a liberação da cobrança dos estacionamentos ganharão mais uma peça para o marketing, mais um motivo para a propaganda. O consumidor não ganha nada. Imaginemos o Iguatemi, por exemplo, que já deu carros importados de presente em promoção de Natal e que no último fim de ano deu ingressos para reveillon e abadás para blocos de carnaval, pode oferecer cupons de estacionamento para o ano todo como prêmio para quem preferir comprar lá. Que maravilha!

Hoje, o shopping Piedade já dribla a lei municipal que proíbe estacionamentos privilegiando quem compra em suas lojas. Só pode usar as vagas do estacionamento do shopping quem gasta lá dentro a partir de um determinado valor. A comprovação é a nota fiscal. Ou seja, não é de graça. Eu estou achando que os demais shoppings vão acabar nisso. Um acordo com a inevitável e austera participação do Ministério Público com os seus famosos TAC – Termos de Ajuste de Conduta.

Eu espero que João fique firme. Se ele garantir que eu não tenha que pagar estacionamento no shopping e ainda poder ter aquela bela vista da Ladeira da Barra, sem um espigão a me impedir de ver a bela Baía de Todos Santos, eu posso até pedir voto para ele. Falta muito pouco para eu fazer isso. Já gostei do que ele fez na área do antigo clube Português e apreciei muito a notícia de que ele desapropriaria e demoliria a sede de praia do Bahia, na Boca do Rio, que enfeia a cidade e envergonha o próprio esquadrão de aço.

Mário Kertész radialista, Mário Kertész ex-prefeito.

Ouço pouco programas jornalísticos no rádio. Prefiro ouvir música. Sorte que há emissoras em Salvador que me dá a oportunidade de saber das coisas nos intervalos entre os blocos de música, é assim na Globo FM e em A Tarde FM. Nenhuma das duas tem programas de notícias ancorados. (Ou tem e eu não sei?). Das emissoras que têm, entre as que eu já ouvi, prefiro a Metrópole. Mas, com Mário Kertész. Porque Mário Kertész pode ser criticado pela, chamemos assim, “liberalidade excessiva”, porém, faz muito bem feito o que faz. Dizem alguns que ele não respeita o ouvinte, nem quer saber a idade ou gênero de quem ouve e solta o verbo sem escolher palavras, termos ou piadas. Há políticos descontentes que o xingam de todo jeito. E gente comum que não suporta o estilo “nada me atinge” de MK. Tem quem o ache chulo.

Pode ser. Eu mesmo, que não tenho preconceito de nada e que adoro Mução, por exemplo, algumas vezes acho o estilo adotado por MK, no tipo de programa que ele lidera, um tanto quanto fora de tom. Mas, essa é uma avaliação particular, não uma sentença, que não sou juiz ou a palmatória do mundo. O programa é de Mário Kertész e ele sabe o que está fazendo. Não é à-tôa que tem uma grande audiência.

Porém, tem uma coisa que eu questiono. Quando Mário Kertész fala dos problemas de Salvador, das deficiências urbanísticas, dos problemas sociais da periferia da capital baiana, nem parece que ele foi prefeito do município em dois mandatos, um por nomeação e outro por eleição. A impressão que fica é que o radialista MK não conhece o ex-prefeito MK. Ou o segundo nunca existiu. Ou a cidade que ele administrou era outra, que foi desfeita pelos que o sucederam, daí, os problemas que existem no tempo dele estavam todos solucionados ou não havia.

Fora disso, os programas que MK conduz na sua Metrópole têm tudo o que precisam: notícias, análise política, social e econômica, bons comentaristas e participação do ouvinte, sem censura. E independência. Isso é o que mais chama a atenção. Provavelmente porque Kertész já tem tudo o que quer e chegou a uma idade e uma notoriedade em que não precisa pedir nada a governantes e políticos, a não ser aquilo que lhe é devido como a qualquer cidadão. Dizem que tem dinheiro. Então, precisa de pouca coisa para ser feliz. Nesta condição, um radialista pode ter independência.

Ressalvando que independência é uma coisa, neutralidade ou imparcialidade é outra. Dá para perceber que MK tem suas preferências e suas antipatias políticas. Resguarda mais uns e alfineta mais outros. O profissional de imprensa que diz ser diferente disso está sendo parcial com a verdade. A não ser que seja um neutro. Eu mesmo não quero ser neutro, me esforço para ser imparcial, mas também tenho lado. Mário Kertész, idem. Isso não faz a sua importância menor ou seu trabalho menos interessante, embora passível de contestação.

Dia desses, eu o ouvi falar da mudança na CAR, empresa ligada à Secretaria da Integração Regional – Sedir. Mário é amigo do secretário Edmon Lucas. Eu sou amigo do ex(?)-presidente da CAR Cézar Lisboa. Conheço Edmon e o admiro. Não sei se MK conhece Cézar ou se o admira. O comentário dele não elogiou ou criticou o dirigente da CAR. Abateu-se sobre o PT – e por extensão o governador Wagner – por reconduzir à empresa um ex-dirigente dos tempos do carlismo, sobre quem o PT dizia cobras e lagartos; a quem, à época, o PT dirigia severas críticas em razão não apenas da ligação umbilical com o carlismo, mas, pela gestão em si. De repente, aquele que nunca deveria ter sido, segundo PT do governador Wagner, passa a ser essencial no governo petista. Por quê? Porque é indicação de um deputado que o governo estadual cooptou e não pode mais perder. Sacrifica-se um petista e redime-se um carlista tudo em nome de um projeto eleitoral.

MK fez este comentário com a indignação de quem não entende (mais) as bizarrices da política baiana. Pelo menos ele deve ter achado no começo, como quase todo mundo, que isso não seria feitio do PT. O comentário não aludiu a uma eventual injustiça com Lisboa, como eu acho que ocorreu.

Outro dia, ouvi uma entrevista de Mário com o escritor Aydano Roriz*. Excelentes, entrevista e entrevistado. Gostei das perguntas, da condução, das respostas e do responder. Foi num sábado e era o Na Linha Especial. Por causa da entrevista, comprei um livro de Aydano (O Fundador – A Fascinante História do Primeiro Governador do Brasil), um romance histórico que fala de Tomé de Souza e de Salvador, e agendei para ouvir todo sábado o programa.

Por fim, Mário é homem de comunicação e acertou na fórmula e na forma dos seus programas. Sobre o prefeito MK eu quase nada sei. Não morava em Salvador. Tem gente que esculhamba a gestão de Mário Kertész . E esculhamba mais ainda o radialista. Eu só ouço.

* Soube que a entrevista foi feita em janeiro de ano passado. Ainda bem que reprisaram.

5 respostas para ELOGIO&CRÍTICA

  1. a irreverencia, cultura e independencia de mario o faz grande comunicador entre todas faixas etárias. sempre que posso ouço a metropoli. agora mario é do tipo ou se ama ou se odeia……

  2. Armando Junquilho

    caro amigo, você é uma pessoa muito especial para mim, pois a sua criatividade nunca te deixa parado e isso nós temos em comum. sempre estamos em busca de algo novo para esplorarmos.
    em breve estarei chegando na terrinha para rever todos os queridos.
    um grande abraço.
    Baiano

  3. Vanusa Cavalcante

    Boa noite!

    Agradeço por compartilhar comigo o seu Blog, sempre que posso dou uma olhadinha para verificar se tem algo de novo.

    Beijo em seu coração bondoso.
    Vanusa Cavalcante

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